terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Forma é o Conteúdo

Existe forma sem conteúdo?
Existe conteúdo sem forma?
O que contém e o que está contido?
Um não existe sem o outro. A mesma coisa é o que parecem ser.
A forma tem em si o conteúdo, que por sua vez somente existe porque se manifesta em sua forma. Um visto do lado de dentro. O outro visto do lado de fora. 
Quem escreve, escreve em algum suporte. Pedra, madeira, papel. Em impulsos elétricos, sistemas binários, ambiente virtual. O som da palavra falada, vibrando em moléculas de ar. Pensamentos que circulam em neurônios, ondas cerebrais.
Sempre o conteúdo. Sempre a forma. 
Onde veríamos somente conteúdo? No abstrato? Podemos atingí-lo sem fazê-lo se manifestar? Pois quando ele se manifesta é porque ele se formou, moldou-se em sua forma.
E a forma, existe algo formado que não carregue em si um mínimo de significado?
E quando nada houver? Sem forma e sem significado. O que resta?

Escrever sem motivos

Existe motivo para escrever quando cessam os motivos?
Existe a escrita sem leitura?
Nos deparamos com a necessidade de expor. Expor o quê? Para quem?
São necessárias as opiniões? Ou delas, assim como de boas intenções, o inferno está cheio?
E onde está o leitor? Ele existe de fato? Ou somente existem os que contam histórias?
Existe aquele que ouve ou apenas gritamos?
Sem eco, sem retorno.
Exaustivamente.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Flanar e parar

Flanar é passear ociosamente, vadiar. Flanar é se perder. Andar sem rumo, sem intenções. Fugir do contorno, se espalhar, tangenciando os caminhos. Aberto aos ares, vazio. Sem esperar, sem encontrar. Despreocupadamente. Sem pressa, com rodeios. Fazendo e desfazendo os caminhos, descosturando. Desconstruindo.
Parar. Quando paramos? Existe uma paragem? O estático se revela no movimento. O caminho se insinua em sua própria imobilidade.
Flanemos então.
Sem medo. Sem esperança.